O Nome Artístico é Importante?

Educação, Indústria Musical

Parece óbvio que a escolha do nome artístico é importante, mas nem sempre é um processo simples. O nome artístico deve ser uma escolha para sempre, não algo que se mude a meio da carreira. A alternativa são os aliases, os AKA (sigla para also know as), as outras identidades sónicas ou artísticas que podem coexistir num DJ ou produtor. Muitas vezes os nomes artísticos surgem por acaso ou são próximos do nome civil do artista, e mais abaixo vamos ver exemplos de acasos felizes na escolha de nomes.

No entanto a proposta que fazemos neste texto é a seguinte: a escolha de um nome artístico deve reger-se por regras muito semelhantes às de uma marca. Porquê? Porque um nome – Nike, Apple, Coca-Cola, Sonae, MEO, etc – fica ligado ao que representa e cria, inconscientemente, uma ligação eterna. É o que se chama Brand Recognition – o reconhecimento da marca. Numa área paralela, é por este motivo que, por exemplo, os atores e atrizes nunca mudam de nome artístico apesar de se casarem.

Os nomes não existem num vácuo e são importantes, as associações que eles despertam também importam. E, a escolha do nome artístico é tão importante quanto o facto de ser permanente – se não o mudarem estão sempre a capitalizar, a ganhar reconhecimento.

As “regras” são:

  1. Deve ser fácil de ler e escrever

Se o teu nome é difícil de pronunciar e escrever como é que as pessoas o vão pesquisar online? A regra é manter a simplicidade, aliás, se há algo que as maiores marcas mundiais têm em comum é isso mesmo: uma marca simples (Apple, Nike, Coca-Cola, Samsung).

  1. Deve ser o mais único e original possível

É muito complicado ser original nos dias que correm, mas tentem pelo menos dentro da vossa indústria trazer alguma originalidade. Até porque se tudo correr bem chegará uma altura em que é importante registar o nome e a marca para impedir que outras pessoas possam usar, e ganhar com a vossa marca.

  1. Deve ser curto, punchy e memorável

Dito assim até parece fácil, mas a orientação é esta.

  1. Deve ser bonito quando escrito e deve ser fixe de ouvir

A ideia aqui é que quando alguém lê o nome, ou quando alguém o ouve numa frase devem ficar atentos, devem notar, o nome deve prender a atenção.

  1. Deve evocar uma ideia, emoção ou sentimento

É a mesma coisa que dizer que deve ser inspirador, deve evocar o que querem transmitir enquanto artistas e/ou com a vossa música.

Vamos ver exemplos:

Agoria: Sébastien Devaud começou por dar festas com o nome de “Agora”, palavra que em Grego significa “Ponto de encontro/local de reunião”, quando escolheu o seu nome artístico juntou um i.

Avicii: O Sueco Tim Bergling escolheu este alias porque o seu nome civil já estava a ser usado no MySpace (e ele chegou a editar temas com ele). Avicii é o nome do nível mais baixo do inferno no Budismo.

Hardwell: O nome civil é Robbert Van de Corput e quem sugere o nome artístico é o pai de Robbert que desmontou o apelido da família – Corput – em que “Cor” se traduz para “hart” em Latim, e em que “put” significa literalmente “well” em Holandês. Por isso seria Hartwell, mas uma pequena letra fez a diferença: Hardwell soa muito melhor e é muito mais memorável.

Âme: É dos nomes mais bem conseguidos da Indústria, especialmente quando percebemos que representam dois alemães com nomes impronunciáveis: Kristian Beyer & Frank Wiedemann.

Daft Punk: Thomas Bangalter e Guy-Manuel de Homem-Christo são uma das duplas mais marcantes da electrónica mas nem sempre foi assim. Inicialmente eram músicos da banda francesa Darlin’ e a revista inglesa Melody Maker ridicularizou-os dizendo que a música que faziam era “daft punky trash”. Trocaram as guitarras por sintetizadores e, inspirados naquela crítica cruel, nasceram os Daft Punk.

Deadmau5: Joel Zimmerman desmontou o computador num belo dia e descobriu uma carcaça de um rato morto lá dentro, facto que o fez ganhar a alcunha de “dead mouse guy” no grupo de amigos. Ao fazer o registo num chat online o nome Deadmouse ultrapassava o limite de 8 caracteres e ele alterou-o para Dedmau5.

Modeselektor: É uma função do Roland RE-201, a unidade de efeitos: space echo analogue delay.

KURA: o Rúben era writer em miúdo e o tag dele era KURA, quando foi altura de escolher o nome artístico foi a opção instantânea.

Se o tema vos interessar pesquisem “Brand naming” ou “Branding”, a maior parte dos exemplos tem a ver com a criação de marcas ou negócios mas as ideias estão lá.

 

 

 

 

Fim de Ano em Lisboa

Entretenimento, Música

Aproxima-se uma data que exige celebração e, como sempre há festas para todos os gostos de Norte a Sul. Onde passar? O que ver? O que comer? Que espetáculos? Nós ajudamos 😉

[Em atualização]

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LUX

O Lux reservou um trunfo para a noite de passagem de ano: Daniel Avery, DJ e produtor reconhecido como um dos talentos mais consistentes do techno atual.

http://www.luxfragil.com

http://www.facebook.com/luxfragil

https://www.facebook.com/events/1689721288007313/

 

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MINISTERIUM CLUB NYE 16/17
O Ministerium do Terreiro do Paço recheia a sua festa de entrada em 2017 com talento nacional e alinha: Magazino; João Maria; Jorge Caiado; KAESAR (na foto) em back to back com CRUZ; Diogo Lacerda em b2b com Gonçalo e ainda a enchantress, MARY B, e Los Duos. As entradas custam a partir de €20 e dão direito a duas bebidas.

Quem quiser começar a festa mais cedo pode também jantar e, nesse caso, a welcome drink começa pelas 20h e o jantar pelas 21h. À meia noite podem ver o fogo de artifício no Terreiro do Paço acompanhados de uma flûte de champanhe. O jantar custa 95€ por pessoa.

As reservas podem ser feitas através do: (+351) 916 383 304 ou comercial@ministerium.pt

www.ministerium.pt

www.facebook.com/MinisteriumClub

https://www.facebook.com/events/1701309190179753/

 

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KREMLIN

O Kremlin aposta também num alinhamento nacional com as prestações de WiseGuys from Lisbon (na foto); Dub Tiger; Pedro Walter; Magillian; Siul Silva Dj; Helder Brito; Alph e Camila. A festa começa pelas 23h e acaba às 10 da manhã para os mais resistentes. Entre as 23h e a meia noite a entrada custa 10€ com direito a 1 bebida e champanhe.

www.facebook.com/kremlinpt

 

m-a-n-d-y

FUSE FUNFARRA ELECTRÓNICA

Na Voz do Operário, os alemães M.A.N.D.Y. são os cabeça de cartaz de uma festa que alinha também os talentos nacionais das Heartbreakerz, Nox, Gustavo, Gilvaia, The Slum Vagabundos, Gear, Joshmu e Kiko numa produção assinada pela FUSE. Há bar aberto das 23h à 1h.

Não há informação disponível sobre o preço dos bilhetes mas podem saber como adquiri-los aqui: fuse.pt/nye

 

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WELCOME 2017 @ ESTUFA FRIA

Com o cenário da Estufa Fria, em pleno Parque Eduardo VII, alinham DJs nacionais de talentos reconhecidos. O alinhamento conta com a magnífica DJ M.Dusa (na foto), DJ Frederik, DJ Garfield e DJ Huguinho The King. O acesso à festa, desde que adquirido até 18/12, custa 35€ e inclui 4 bebidas. Há mesas disponíveis para grupos cujos detalhes aconselhamos consultar na página do evento (abaixo). Também há um jantar antes da festa que tem um custo de €60.

www.facebook.com/events/1016809935115138/

 

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MAIN

O MAIN da 24 de Julho opta por um concerto dos Sangre Ibérico, seguido pelos DJs Pedritu Menezes (na foto), Tiago Bandeira e Nuno Garoa. A entrada custa 20€ e dá direito a 3 bebidas. Para jantar há duas opções: ou no Air, o último andar do MAIN, com duas bebidas e um custo de 80€ ou o Jantar volante no Room com duas bebidas e um custo de 40€. As reservas devem ser feitas pelo: (+351) 912 672 718

www.facebook.com/mainlisbon

 

PLACE

O Place em Santos não tinha, até ao momento, divulgado o programa da festa de Ano Novo contudo sabe-se que as portas abrem pelas 23h30 e a entrada, com 2 Bebidas incluídas, Bolo Rei e passas e espumante custa 20€
Reservas: placelisbon@gmail.com

www.facebook.com/PLACElisbon

 

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ROYAL PALACE

O Palácio Real da Tapada da Ajuda com o seu cenário e a vista para o Tejo é uma opção para quem gosta de festas com glamour. O dress code é de gala, esqueçam os ténis, e as portas da festa abrem pelas 22h30 com a festa a durar até às 6h. Os DJs de serviço são todos nacionais, e encabeçados pelo maravilhoso André Henriques, DJ e animador da RFM, seguido de Van Breda, Tiago Bandeiras, Pedro Machado e MC Mano. Os bilhetes estão disponíveis na Ticketline, FNAC e outras lojas, e começam em €40 para os que se despacharem a comprar e sobem até aos €60 para quem quiser comprar mais perto da data, incluem sempre 8 bebidas (2 cervejas + 4 bebidas).

Quem optar por começar pelo jantar de gala entra às 20h e o jantar começa a ser servido às 21h com um valor de €140 por pessoa, que inclui 8 bebidas e acesso à festa.

Reservas ou informações: geral@royalpalace.pt ou (+351) 937 310 597
www.facebook.com/events/353283925018793/

 

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LXM Lisbon NYE 2016/17

Na FIL em Lisboa a LX Music traz um showcase pela label de Boris Brejcha, a Fckng Serious, que conta com o patrão, Boris Brejcha, Deniz Bul e Ann Clue, e ainda com os artistas da LX Music, John-E, Midinoize, Glove e Steve Menta.

Os bilhetes custam €20 até 21 de Dezembro, €30 a partir dessa data e €40 no dia. O bilhete VIP custa €100 e dá acesso à festa através de uma entrada especial e ainda acesso ao backstage. As postas abrem pelas 22h.
Para mais informações e reservas: geral@lxmusic.org ou (+351) 913 510 599
www.lxmusic.org

https://www.facebook.com/events/1114038195377875/

 

 

 

“Closer” dos The Chainsmokers Bate Recorde

Indústria Musical, Música, Produção Musical

 

O tema da dupla de produtores de eletrónica, The Chainsmokers, com voz de Halsey, está há 11 semanas no top da Billboard Pop Songs Radio Airplay, sendo assim o segundo tema a estar mais tempo em número um desta lista, desde 1992. É o tema a manter-se mais tempo em número um desde há de 12 anos, quando “Over and Over” de Nelly,  esteve 11 semanas no top de Novembro de 2004 a Janeiro de 2005.

O recordista deste top é “The Sign” dos Ace of Base que esteve 14 semanas em número 1 em 1994.

 

YouTube paga mil milhões à indústria musical em 2016

App, Entretenimento, Indústria Musical, Música, Streaming

O YouTube é a maior plataforma de streaming de vídeo e música do planeta, com estatísticas que superam todas as outras com 63% dos norte americanos a afirmar que ouve música na plataforma, segundo dados da Statista. A indústria musical tem dirigido várias críticas ao YouTube e estas motivaram que Robert Kyncl, o Chief Business do YouTube, tenha dirigido  uma comunicação a esta área específica afirmando: “Nos últimos 12 meses o YouTube pagou mais de mil milhões à indústria musical em receitas provenientes apenas de publicidade.”, sendo que a Google reportou ganhos publicitários na ordem dos 19.8 mil milhões de Dólares no terceiro trimestre do ano.

Em comparação, o Spotify pagou 1.63 mil milhões de Euros (1.74 mil milhões de Dólares) à indústria musical em 2015. O total das receitas digitais nos Estados Unidos no primeiro semestre deste ano – incluíndo downloads, streaming, ring tones, etc – atingiu os 2.66 mil milhões de Dólares.

Ainda sem comentários dos grandes grupos como a Universal Music Group, Warner Music Group, Sony Music e da American Association of Independent Music, o único comentário veio da Federação Internacional da Indústria Fonográfica que lançou um comunicado afirmando: “Com 800 milhões de utilizadores mundiais, o YouTube está a gerar pouco mais de 1 Dólar por utilizador durante um ano inteiro. Este valor é uma pálida comparação ao gerado por outros serviços.”

Os lucros que o YouTube devolve à indústria musical estão dependentes da saúde do mercado de publicidade digital mundial. O valor total do mercado publicitário mundial espera chegar aos 69.2 mil milhões de Dólares no próximo ano, com o vídeo online a cifrar-se nos 35.4 mil milhões distribuídos entre o Facebook e a Google, a empresa proprietária do YouTube, que juntas controlam 54% do mercado publicitário digital mundial.

 

 

 

Soundcloud com DJ Mixes outra vez

App, Entretenimento, Indústria Musical, Música, Streaming

O Soundcloud viu-se em maus lençóis com os seus utilizadores – principalmente com os DJs e Produtores – porque começou a levantar demasiados problemas com os direitos de autor, incluíndo retirar DJ mixes por infracção e inclusivamente remover contas de utilizadores. Esta era acabou, os sets dos DJs já não vão ser retirados da plataforma. Segundo declarações do fundador do Soundcloud, Eric Wahlforss, à Groove, enquanto negociavam com grupos que representam grandes catálogos como a GEMA para a plataforma paga, Soundcloud Go, conseguiram manter as DJ mixes sem censura no Soundcloud.

A Soundcloud Go é a nova plataforma paga de streaming, baseada num modelo que paga aos autores das músicas, e pensada para competir com serviços como o Spotify e a Apple Music.

O serviço ainda não está disponível em Portugal mas a página https://soundcloud.com/go fornece alguma informação sobre o que aí vem.

Warung Beach Club Comemora 14 Anos no Brasil

Música

Dias 11 e 12 de novembro será tudo sobre o aniversário o Warung Beach Club, lugar onde há quatorze anos a história começava. O 14º ano do Templo vai ser comemorado em duas noites e alguns grandes artistas vão fazer parte deste momento memorável.

Vamos começar por Seth Troxler, que é bem conhecido pelo público e vai comandar a pista duas vezes! Sim! Troxler assume a cabine sozinho na sexta (11) e na noite seguinte divide as pick ups com The Martinez Brother em um B2B sem precedentes.

Adriatique, Ben Klock e Dubfire estarão de volta. Eles não precisam de introdução! Faz algum tempo desde a última vez de Klock no Warung. E o que podemos dizer sobre Dubfire? Ninguém conhece o Templo como ele!

Estreias
Como convidado especial, Stephan Bodzin chega pela primeira vez ao clube. Com grande responsabilidade, uma vez que ele vem com seu live e DJ set – tudo isso na mesma noite. Outra estreante é Anna, a artista brasileira que tem se destacado como prodígio musical em todo o mundo! DJ e produtora, ela é possivelmente um dos maiores sucessos da cena atual.

“De casa”
Warung traz seus residentes, é claro! Os ”Savages” são uma peça essencial desta história, então eles vão estar presentes em ambas as noites.

Confira o line-up completo de cada dia a seguir:

– Novembro, 11 (sexta): Adriatique/ Seth Troxler/ Stephan Bodzin/  Dashdot/ Volkoder/ Elekfantz/ Leozinho/ Leo Janeiro/ Conti & Mandi e Gromma. 

– Novembro, 12 (sábado): Ben Klock/ Dubfire/ Seth Troxler B2B The Martinez Brothers/  Renato Ratier/ Anna/ Boghosian/ Albuquerque/ Aninha e Willian Kraupp.

Clique aqui e garanta o seu ingresso.

OUT FEST para comemorar a primeira década de OUTJAZZ

Ao Vivo, Entretenimento, Música

Quem vive em Lisboa, e quem a visita nos últimos 10 anos sabe como o Out Jazz mudou o panorama do entretenimento na cidade, tornando apetecíveis os muitos jardins, praças e miradouros da cidade, sempre relegados para segundo plano tal é a proximidade e a ubiquidade da praia. São dez anos de festas e de música gratuita nos jardins de Lisboa, e dez anos que se comemoram nos próximos dias 24 e 25 de Setembro no recém nascido festival, OUT FEST.

 

 

O OUT FEST terá, ao contrário do OUT JAZZ, bilheteira mas com preços muito acessíveis (ver em baixo) para o cartaz que oferece distribuído por três palcos. O palco principal – dedicado aos sons que vão desde o soul à eletrónica – contará com a presença de Nicola Conte (DJ Set), Daddy G (Massive Attack), DJ Ride Live Band, Xinobi, Moullinex, entre outros.

O Red Bull Silent Garden vai lançar uma festa imersiva em que o DJ vai tocar para cada pessoa individualmente, com a música a ser transmitida diretamente via Bluetooth para cada par de auscultadores. No primeiro dia, o som vai ser servido por Inês Inlectra e, no segundo, por DJ Carie.

O palco OUT JAZZ mantém-se, com uma presença forte, contando com a presença do Ricardo Toscano, Salvador Sobral, DJ Rykardo e DJ Johnny.

Fora dos palcos o OUT FEST oferece um ambiente único num dos jardins mais emblemáticos de Cascais, um parque infantil para os mais novos e uma zona de Street Food. O OUT FEST conta com o habitual apoio da NCS e da Câmara Municipal de Cascais e da Somersby.

Os bilhetes podem ser adquiridos no OUT JAZZ, Ticketnew e Ticketline

Preço dos bilhetes: 12 euros (diário) e 20 euros (2 dias) // Gratuito até aos 12 anos.

Programação completa: www.out-fest.pt

cartaz

Steve Aoki em Documentário

Cinema, Entretenimento, Música

O documentário que retrata a vida de Steve Aoki estreou no Tribeca Film Festival na Primavera e chegou ontem ao Netflix. O Eletrónica já o viu.

O que faz um DJ quando já atingiu o máximo estrelato possível? Um documentário. Foi assim com os Swedish House Mafia e com Hardwell, por exemplo. Se os documentários são boas peças de entretenimento para além de mostrarem aos fãs um pouco mais dos seus heróis é uma discussão inteiramente diferente.

Devo confessar que quando comecei a ver o documentário tinha poucas expectativas. Pensei que vinha aí mais uma ego trip, uma hora e vinte minutos de tretas para encher espaço a vender a marca Steve Aoki. Estava completamente enganada e fiquei muito feliz por ter errado tanto nas minhas premonições.

Um dos pontos em comum que os documentários sobre DJs é a pobreza narrativa. Há pouca história, há pouco para dizer, há pouca consistência narrativa, e deixa-se a componente visual ganhar terreno, mas mesmo que se contrate um realizador de créditos firmados, como Christian Larson chamado a realizar “Leave The World Behind” dos Swedish House Mafia, não há garantias que o filme final seja mais do que um eye candy. Com “I’ll Sleep When I’m Dead” passa-se exatamente o oposto. É muito menos visual e de “encher o olho” e muito mais uma história cheia de dramas de vários tipos – desde a ausência do pai, ao racismo, ao complexo de inferioridade, necessidade de afirmação, problemas com álcool e drogas, morte e perda, entre outros – que não se coíbe de mostrar os momentos mais baixos ou as maiores fragilidades de uma pessoa que resumimos frequentemente a um DJ que “atira bolos à cara das pessoas”. Por vezes é importante confrontar os nossos preconceitos.

A relação com o pai bem sucedido mas ausente, Rocky Aoki, é o leitmotiv do documentário, por mais que se conte a história volta-se inevitavelmente a esta relação tão ausente e idealizada quanto marcante. Não é caso para menos. Rocky Aoki era uma vedeta, um homem de negócios bem sucedido, e o pequeno Steven passa a vida a desejar ter uma relação com o pai ausente, e a querer provar-lhe o seu valor. É o tema recorrente de “I’ll Sleep When I’m Dead”.

Os dias iniciais, a ser criado apenas pela mãe japonesa numa Los Angeles branca também deixaram marcas e Steve Aoki recorda-as vivamente. O momento de viragem vem com a música, nela, e no punk rock em particular, Steve encontra a sua voz e a ponte da sua alma para o mundo exterior. Não a larga mais. O que é lamentável é que ela acabe por ser retratada no documentário como um meio para um fim mais do que um fim em si mesmo, ou seja, se a música é a ponte também nunca passa disso, e a ténue presença de estúdios, de tempo a criar e de uma presença musical que ultrapasse a histórica é notória.

A música tem um papel principal nos tempos do underground, dos clubs underground onde Steve fazia festas, na amizade fraternal com o falecido DJ AM, na Dim Mak, a editora de Steve que lançou inúmeros artistas para a ribalta, e numa frase que Steve cita como sendo da autoria de DJ AM que devia ecoar na cabeça de muitos artistas: “Mata o ego à fome, alimenta a alma.”

Depois vem a sucessão daquilo que todos sabemos: um workaholic compulsivo, que assume a sua incapacidade e até receio de parar, tours mundiais, mais milhas aéreas que qualquer outro artista, palcos por todo o mundo, e o destaque devido ao maior e mais significativo palco europeu (ou talvez mundial), o Tomorrowland, que Steve já encerrou por diversas vezes.

Um dos momentos mais interessantes, e de crossover, acontece quando Steve Aoki perde a data do Madison Square Garden em Nova Iorque e decide ir falar com o Governador de Los Angeles, um político cuja campanha foi apoiada por Steve, e pedir-lhe que permita uma festa nas ruas de Los Angeles. É surreal ver Aoki e um político, não no sentido pejorativo mas pelo facto de ser para nós um cenário longínquo (talvez o nosso atual presidente da República mude isto!).

Para contar a história o documentário conta com entrevistas a membros da família de Steve Aoki, mas também de Diplo, Will.I.Am, Tiësto, Pete Tong, entre outras figuras da indústria.

Quando todos achamos que se está a dar demasiada importância a um pai ausente, e cuja influência se faz sentir exatamente pela ausência, eis que surge o momento de justiça. É à sua mãe, que o apoiou incondicionalmente, que esteve presente em todos os momentos, para quem fica reservada a homenagem final, e muito justamente.

A nota final é muito positiva, “I’ll Sleep When I’m Dead” consegue contar uma história interessante de um percurso de vida e carreira intimamente entrelaçados e mostra toda uma outra dimensão de um artista. Era isto que todos os documentários deviam fazer, acrescentar valor. Fica aqui a nossa recomendação que o vejam, gostem ou não da música ou do DJ que é Steve Aoki, porque temos a certeza que não ficarão indiferentes no final.

A 24 de Agosto Steve Aoki fará uma sessão de perguntas e respostas ao vivo no Facebook, moderado pela jornalista norte americana, Katie Couric, a que poderão assistir na página oficial do Facebook, em http://www.facebook.com/steveaoki

Steve Aoki “I’ll Sleep When I’m Dead” Realizado por Justin Krook está disponível no Netflix.

Sony Music Compra Ministry Of Sound

Indústria Musical, Música

A Sony Music UK comprou a editora Ministry Of Sound, o que significa que todo o catálogo, artistas e compilações pertencem agora à major. Esta compra traz para o mercado mainstream uma das mais bem sucedidas editoras inglesas que trouxe artistas como Calvin Harris, Mark Ronson, e muitos outros para as luzes da ribalta.

A editora Ministry Of Sound foi lançada em 1993 como uma extensão do club londrino fundado por James Palumbo e funcionava no mesmo edifício em Londres. Os números acumulados da Ministry Of Sound Recordings são, no mínimo, impressionantes com vendas a ultrapassarem a marca dos 70 milhões, nos quais se incluem 40 álbuns que atingiram o famoso Nº1 Britânico bem como 21 singles que conseguiram a mesma proeza.
Esta nova parceria vai permitir que a Ministry of Sound ofereça o seu catálogo a uma escala global e partilhando o seu leque artístico com nomes como Robbie Williams, Beyoncé, Justin Timberlake, Olly Murs, Miley Cyrus e Pharrell Williams, entre muitos outros.